
João de tal, mais conhecido como Joca bancário, 38 anos, residente na travessa do chaco s\n, saiu ontem pela manha de sua residência com destino ao centro comercial da cidade. Lá chegando, dirigiu-se à Agencia do Banco do Estado na Av. Presidente Vargas. Entrou naquela agência bancária e no caixa sacou a quantia de R$ 5.000,00 referente a uma economia de uns três anos que havia feito para pagar dívidas antigas. Meteu a grana no bolso e saiu assoviando “Detalhes” de Roberto Carlos pela avenida. Seu primeiro destino era o Bar do parque, onde pretendia tomar uma gelada daquelas da cor de canela de urubu.
Entretanto, após cruzar a travessa Osvaldo Cruz, e caminhar meio minuto pelo calçadão da praça da República, observou que dois elementos mau encarados lhe seguiam, com um dos dois aparentando portar arma de grosso calibre, pois se percebia alguma preponderância na parte frontal da cintura. De repente joca ouviu um dos dois elementos anunciar.
– para aí cara que é um assalto se não queres levar ums tecos.
Joca parou de imediato, as pernas num tremilique de vara verde. Pensou na situação, em toda a alegria cair por terra, tanta economia pra nada, quanta sede de orgia adiada. Porque não pegou um táxi? como pararia as contas atrasadas, o plano do bar do parque, tudo esvaíra-se num susto, por pura bobeira.
Passaram se alguns milésimos de segundos de agonia até que joca resolveu encarar a situação, afinal, era homem ou não? Resolveu virar para trás, na direção do dois indivíduos. Foi aí que um dos dois falou.
– E aiiiiiiiii Joca tás perdido por aqui cara! E Joca aliviado.
– És tu Ladislau, porra, me deste um susto do cassete, cara. Tratava-se de um velho amigo e vizinho de joca, um pedreiro de obras. O outro, um amigo de trabalho, os dois aproveitando uma folga do serviço. Ladislau foi logo convidando Joca para juntos tomarem uma cerveja, que, afinal, ninguém é de ferro.
– Eu estava a caminho do Bar do parque, com uma sede!
– Vamos fazer melhor, rachamos um táxi e tomamos umas geladas lá no Bar do Carvalho, na Vinte cinco. Propôs Ladislau. Nesse tempo o Carvalho abria o bar pela manhã.
– Só se for agora, concordou Joca todo contente. E foram, consumiram os três quase uma grade, varando pela noite, muita conversa atrasada, muita piada, e mais, coisas que quem bebe nem lembra no outro dia. Vez por outra Joca apalpava no bolso o maço de notas. Os da cerveja já separados. De lá foram cada um para suas casas chamando cachorro de cacho e urubu de meu louro.
Hoje de manhã, em casa, joca contou com a patroa o dinheiro. A menos, só o que foi com as cervejas.
Antônio Mangas