Luta inglória (soneto)

Lutam no Brasil a muito tempo
pobres e donos do lamaçeiro
Nunca se saceiam os segundos
Nunca comemoram os primeiros

Oh! Porque é a vida assim injusta?
Nesse lugar lugubre, essa disputa?
Fecha-se sempre a mão bruta
Abre-se em vão a mão que luta

Mesmo sem razão o rei resiste
Reluta sempre imóvel o mal ferrenho
Chora de pavor o filho triste

Nunca terá fim a luta inglória
Mesmo se clamando – Ó Deus, ouvir-nos!
Reina o mal e a paz ilusória.

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