A Caverna

– Pai, gostaria de ter sua permissão para fazer um passeio até Juliema. Eu, Marcelo e um amigo da faculdade estamos planejando explorar uma caverna lá. – Disse Pepe, um dos filhos de Seu Getúlio.
– Vocês podem ir filho, desde que tomem os devidos cuidados. Você sabe, explorar cavernas requer procedimentos de cautela e conhecimento de pessoa experiente.
– pode deixar pai, nós já providenciamos isso!
Seu Getúlio é um advogado de sucesso que consegui juntar uma pequena fortuna graças às grandes causas que venceu ao longo da carreira na área trabalhista. Ele vive em Constança com a esposa, a bonita D. Matilde, bem mais nova que o marido, e os quatro filhos Silvia, Renso, Pepe e Marcelo.
Pepe, com 19 anos é o filho mais velho e já cursa a faculdade de Direito. Marcelo, com 18 é o segundo e está terminando o ensino médio. Os dois rapazes receberam uma boa educação familiar e gozam de boa reputação na vizinhança e nas escolas onde estudaram. Seu Getúlio é muito orgulhoso deles e não viu problemas em liberá-los para o passeio. Os dois inclusive já frequentam alguns bailes da redondeza e nunca deram nenhum problema com bebidas ou brigas.
Na faculdade Pepe encontra seu amigo de turma Paulo para acertar detalhes da excursão.
– e aí meu caro Pepe! como vão as coisas, está firme a viagem?
– claro que sim, não vejo a hora de botarmos o pé na estrada!
– Pepe, você conhece o Jonas, aquele antigão da engenharia? Eu o convidei para ir connosco, achei que valeria a pena ter no grupo alguém mais experiente. Ele contou que já desbravou duas cavernas em Iriti. Vai ser uma boa tê-lo connosco.
– Por mim tudo bem, se você diz que o conhece!
– sim, conheço-o bem, você vai gostar dele.
– Sairemos no Sábado e voltaremos no domingo à tarde, então. partiremos lá de casa as sete da manhã. Combinado?
– Combinado! – respondeu Paulo. Os dois apertaram as mãos e foram assistir aula.
No sábado de manhã, pelas sete, já estavam Pepe, Marcelo, Paulo e Jonas na casa de Pepe, prontos para a viagem. Entraram no carro de Pepe e partiram rumo à Juliema, distante setenta e cinco quilômetros de Constança. Paulo apresentou Jonas aos dois irmãos e os quatro passaram toda a viagem conversando animadamente. Chegando na cidade, tomaram um ramal sem asfalto por onde percorreram cerca de meia hora até chegarem em local de onde seguiram à pé mata adentro por cerca de uma hora em caminho quase serrado e muita ladeira, até depararem-se com a entrada de uma grande caverna encravada na montanha.
Na escola onde estudam Silvia e Renso, é costume aos sábados haver programações desportivas das quais participam os dois filhos mais novos de seu Getúlio. Num momento de intervalo, eles sentam na lanchonete para um lanche.
– A essa hora os dois estão de boa na excursão! – comentou a irmã. Renso escutou e ficou pensativo.
– Não sei não! Porque eles não foram sozinhos? Não gostei muito daqueles dois.
– Puxa, mas você os viu por tão pouco tempo, não acho que se deve tirar conclusões pela aparência.
– Também acho, mas é que não sei se podemos confiar em todo mundo. Sabe como é?
– É mesmo, são tantos os cuidados que devemos tomar. Mas há de correr tudo bem!
– Assim espero! vamos embora!
– Ah! não! é tão cedo! Logo agora que eu vi um gatinho ali!
– Deixe de graça e vamos logo! – brigou com energia Renso, cheio de ciúmes e cuidados com a irmã.
Na caverna, os quatro já estavam bem adiantados caverna adentro e chegaram a um lugar largo e claro devido a uma abertura com entrada de luz, a uns vinte metros da entrada. Ali pararam por sugestão de Paulo. De repente, Jonas sacou de uma pistola e dirigiu-se para os dois irmãos.
– vocês dois, larguem as mochilas no chão e encostem na parede com as mãos para trás.
Paulo armou-se de uma faca, deixando claro que estava em conluio com Jonas.
– isso não é brincadeira que se faça, Paulo – gritou Pepe com a voz tremula, sem acreditar que era verdade.
– Brincadeira? fiquem quietinhos aí seus burguesinhos se não quiserem ter problemas – ameaçou Paulo seriamente.
– Paulo! – gritou Pepe desesperado – Como pode fazer uma coisa dessa com um colega de turma, seu desgraçado!
– Fica na tua, cala tua boca e me obedece – Retrucou Paulo puxando-o pelos cabelos. – Os dois irmão tiveram pés e mãos amarradas.
– O que vocês querem? – Perguntou Marcelo.
Paulo explicou tudo que havia premeditado com Jonas.
– Isso é um sequestro. Queremos grana. Não muito. O suficiente. O valor que seu pai pode pagar!
Depois disso, Paulo, que possuía o telefone da residência de Pepe, entregou-o a Jonas e o instruiu para que fosse até certo local que se sabia haver sinal de discagem para comunicar o rapto. Jonas saiu da caverna e ligou. Seu Getúlio atendeu. Jonas anunciou o rapto e o pedido, deixando muito bem claro que não queria a polícia no meio. Caso isso não fosse obedecido seus dois filho seriam mortos. Jonas acrescentou um detalhe que não fora combinado com Paulo.
Pela manhã, na casa de seu Getúlio, ficou encantado com a beleza da Dona Matilde. Durante a viagem a Matriarca não saiu de sua mente, por isso resolveu envolvê-la na trama.
– Detalhe, seu Getúlio. O dinheiro deve ser trazido por Dona Matilde!
– Pelo amor de Deus, eu lhe peço, não faça nada com meus filhos. Fique tranquilo que farei tudo como você pediu!
Como advogado, Seu Getúlio sabia que não podia brincar com a situação, temia que, pelo ímpeto, devido à forma violenta como lhe foram dirigidas as palavras o pior pudesse de fato acontecer. Chamou Dona Matilde e lhe pediu para levar o dinheiro e fazer tudo como havia exigido o sequestrador.
Jonas disse que ela deveria deixar o carro perto do de Pepe e seguir caminho pela trilha até encontrar-lo. Isso foi feiro.
Ao avistá-lo, Dona Matilde entregou a mala com o dinheiro. Mas Jonas não queria somente o valor. Com os olhos na bela mulher, começou a dirigir-lhe palavras: no início sérias, depois mais brandas e, finalmente, quase súplicas.
– Sabe dona, não me queira mal, eu gostei da senhora.
Dona Matilde é mesmo uma bela dama. Tem a experiência que adquirem as lindas mulheres casadas, para muitas vezes se livrarem de desejos masculinos. Mas não repeliu o facínora. Ao contrário, alimentou os desejos do rapaz, cedendo a um violento beijo tomado por ele num desejo suplicante de prazer. Ela consegui que ele, por um lapso de tempo, desse mais importância ao desejo, colocando em segundo plano a prontidão que deveria tomar alguém no ato de cometer um crime. A mulher teve o tempo de retirar o revolver do bolso da calça, botar a mão no gatilho e atirar na nuca do criminoso, matando-o instantaneamente.
Dona Matilde não acreditava no ato que fora forçada e tivera coragem de fazer. Seu corpo tremia de uma extremidade a outra. Mas pensou nos dois filhos e tomou forças para seguir o caminho e libertá-los. Escondeu a mala com o dinheiro entre as raízes de uma grande árvore; Seguiu pela trilha, determinada a resgatar seus filhos, até chegar finalmente próximo do cativeiros dos dois. Por sorte Paulo não estava tão perto dos meninos, então ela gritou:
– Não se mova ou eu atiro!
– Onde está Jonas? – perguntou Paulo, surpreso.
– Na trilha! Você me ouviu, fique onde está – Berrou percebendo que ele se levantava lentamente.
– A senhora não tem coragem de atirar! – O tiro em Jonas não fora ouvido dentro da caverna.
Dona Matilde estava com a adrenalina a toda e como Paulo não atendesse suas palavras e já estivesse perto, ela não hesitou em disparar em direção às pernas dele, que foi ao chão gritando de dor. A mãe então pode correr para os filhos abraçando-os e cobrindo-os de muitos beijos. Com os vilões fora de combate, mãe e filhos puderam chegar com facilidade até os dois carros, não sem antes resgatarem a mala com o dinheiro. Em pouco tempo houve a chegada de Seu Getúlio com a polícia.

Antônio Roberto Mangas

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