Inglês com textos
Nesta nova seção, denominada “Inglês com textos” publicarei textos e vídeos com a finalidade de auxiliar você que deseja aprender inglês ou aprimorar seus conhecimentos nesse idioma. Os textos serão inéditos ou das listas que fazem parte das várias seções desse blog. Os vídeos conterão o texto em inglês e a narração nesse idioma juntamente com a tradução em português. O conteúdo servirá para familiarizar-nos com a língua inglesa e provocará uma agradável imersão no mundo da literatura. Espero que gostem. Bons estudos!
João finalmente aposentou-se. Há trinta e cinco anos ingressou em uma importante repartição governamental; de onde ganhou o sustento, constituiu família e aprendeu muito. João é pessoa do tipo organizada, para quem as ações não podem abrir mão de bom e prévio planejamento. Aprendera isso desde muito cedo, ainda na infância, com os pais e na escola; Na sua infância era corrente a ideia positivista de progresso. Ensinaram-lhe, por exemplo, que para frente é que se anda; que é a vida um caminho constante rumo à felicidade, desde que fossem adotados os procedimentos técnicos para trilhar o caminho até ela. Mais tarde, com a experiência, João concluiu que isso não passava de conversa pra boi dormir. Se fosse verdade seria o mundo um paraíso, de tão velho que é. A vida e os anos de trabalho ofereceram-lhe a matéria prima para a reflexão, no contato com as pessoas e nas horas de leitura na biblioteca, local que aprendeu a frequentar e passar muitas das suas horas de folga. João é antes de tudo uma pessoa culta, que tenta apropriar-se de boas ideias com a finalidade de entender melhor o mundo à sua volta.
Agora, com tempo disponível, adotou fazer as coisas que mais gosta; ler, ouvir música, caminhar, entre outras. Mas pode principalmente pensar, botar em prática tudo que elaborou meticulosamente durante anos. Que coisa boa é a mente, pensou João! Uma enciclopédia viva, que pode sair pelo mundo semeando boas soluções. Ao longo da vida foi acumulando experiência, primeiro sem nenhuma pretensão, depois, de forma mais objetiva. Muitas vezes, ao caminhar por sua cidade, pegou-se imaginando porque grande parte do que ela oferece é desconfortável: calçadas intransitáveis, ruas esburacadas, praças sujas, trânsito caótico, insegurança e outras mazelas.
Ele sabe que sua cidade poderia ser melhor. Sabe também que a relação povo – Estado é hipócrita e viciosa, pois o primeiro reclama sem fazer a sua parte; o segundo tenta agradar fazendo uma parte e desprezando a população por trás dos panos. No caso das ações para melhoria de nossas vias públicas, mesmo que o poder público aumente seus gastos nesse sentido, ainda assim nada mudaria em essência, porque tudo depende de boas ações conjuntas, envolvendo todos os indivíduos que ali residem. Mais valem ações coletivas que carradas de milhões em dinheiro gastos em obras que, depois de concluídas, não serão conservadas, porque seu povo não aprendeu a dar valor naquilo que é público, mas tão somente no que lhe pertence individualmente. Mas admite: de nada adianta comentar suas conclusões. Ninguém daria a mínima.
João tem mesmo muita imaginação. Anos atrás, concebeu a ideia de que as pessoas, cada uma delas, são seres autônomos e independentes. Dessa forma somos capazes de criar coisas e sentimentos próprios, imagináveis apenas pelo seu criador. Assim como Deus criou o mundo; Albert Einstein criou a Teoria da Relatividade; Shakespeare escreveu suas peças teatrais e Chico Buarque compôs suas canções; cada um de nós pode escrever a própria história e planejar a vida de modo particular, sem precisar seguir dogmas e ideologias. E foi mais longe; cada indivíduo nasce não somente para viver, mas para cria coisas boas. Criando, ajudaremos a sociedade a vencer suas adversidades quotidianas. Dessa forma, mesmo um náufrago sozinho numa ilha, poderá ter momentos de felicidade enquanto procurar descobrir formas de superar suas limitações, de fazer fogo, de proteger-se do frio, ou do sol, e sentir prazer em procurar alimento.
Concebeu um esquema organizacional de vida com focos na saúde, criação e lazer, que se divulgados maciçamente despertariam a inveja de qualquer instituição de autoajuda. Para João, as pessoas serão mais felizes se praticarem exercícios pela manhã; desenvolverem atividades criativas na maior parte do dia e dedicarem-se ao lazer no final da tarde e noite. Escreveu: “livre-se das futilidades perniciosas da Internet e da TV”. Essas mídias formam a indústria mais importante de divulgação de ideias negativas que existe, as quais impulsionam os indivíduos a investir em preocupações desnecessárias com foco na violência e na doença, coisas que só fazem mal à saúde, portanto, aprenda a filtrar as informações que recebe.
Em seu caderno de anotações podem ser lidos esquemas que parecem terem dado muito trabalho mental antes de comporem a redação final. Não à-toa estão escritos em cima de palavras anteriormente apagadas ou pintadas com tinta de corretivo. Num rápido passar de olhos encontramos: “se pensar em escrever dez páginas, acumule vontade para escrever uma Bíblia, e alcançará seu objetivo”; “para que acumular tanta informação desnecessária? O excesso de informação atrapalha a mente”; “observe na doença apenas o processo de cura”; “aprecie coisas simples: o secar de uma roupa no varal, o brotar de uma semente na terra”. João enfim criou um verdadeiro acervo de conhecimentos na área psicossocial, que comparo ao conteúdo do conto machadiano “O espelho” — “Esboço de uma nova teoria da alma humana”.
Pensando em toda a trajetória de João, podemos perguntar: valeu a pena ele ter aprendido tanta coisa? Ele foi por causa disso mais feliz? Bem, se foi é difícil dizer, mais uma coisa é verdade: Ao manter a mente sempre ocupada, usou um remédio importante para driblar as dificuldades da vida, evitando cair em tristeza; O trabalho é o melhor remédio para a mente. As pessoas serão mais saudáveis mentalmente enquanto possuírem ocupações. Se ociosas, só conseguem acumular mais problemas.
Antônio Mangas
John (texto em inglês)
John finally retired. Thirty-five years ago he joined an important government office; where he earned his livelihood, raised a family and learned a lot. John is an organized type of person, for whom actions cannot give up good and prior planning. He had learned this from a very early age, still in childhood, from his parents and at school; In his childhood, the positivist idea of progress was current. They taught him, for example, that one walks forward; that life is a constant path towards happiness, as long as the technical procedures to walk the path to it were adopted. Later, with the experience, João concluded that this was nothing more than talk to go to sleep. If it were true, the world would be a paradise, it is so old. Life and years of work offered him the raw material for reflection, in contact with people and in the hours of reading in the library, a place where he learned to frequent and spend many of his free time. João is above all a cultured person, who tries to appropriate good ideas in order to better understand the world around him.
Now, with time on his hands, he has adopted doing the things he likes best; reading, listening to music, walking, among others. But he can mostly think, put into practice everything he has meticulously worked out for years. What a good thing the mind is, thought John! A living encyclopedia, which can go around the world sowing good solutions. Throughout his life he accumulated experience, first without any pretensions, then more objectively. Often, when walking through his city, he found himself wondering why so much of what it offers is uncomfortable: impassable sidewalks, potholed streets, dirty squares, chaotic traffic, insecurity and other ills.
He knows his city could be better. He also knows that the people-State relationship is hypocritical and vicious, as the former complains without doing its part; the second tries to please by playing a part and despising the population behind the scenes. In the case of actions to improve our public roads, even if the government increases its spending in this sense, nothing would change in essence, because everything depends on good joint actions, involving all the individuals who live there. Collective actions are better than loads of millions of money spent on works that, once completed, will not be preserved, because its people have not learned to value what is public, but only what belongs to them individually. But he admits: there is no point in commenting on his conclusions. Nobody would give a damn.
John really has a lot of imagination. Years ago, he conceived the idea that people, each of them, are autonomous and independent beings. In this way we are able to create our own things and feelings, imaginable only by their creator. Just as God created the world; Albert Einstein created the Theory of Relativity; Shakespeare wrote his plays and Chico Buarque composed his songs; each of us can write our own history and plan our lives in a particular way, without having to follow dogmas and ideologies. And it went further; each individual is born not only to live, but to create good things. By creating, we will help society to overcome its daily adversities. In this way, even a shipwrecked person alone on an island can have moments of happiness as he seeks to discover ways to overcome his limitations, to make fire, to protect himself from the cold or the sun, and to feel pleasure in looking for food.
He conceived an organizational scheme of life with a focus on health, creation and leisure, which, if disseminated massively, would arouse the envy of any self-help institution. For John, people will be happier if they exercise in the morning; develop creative activities most of the day and dedicate themselves to leisure in the late afternoon and evening. He wrote: “Get rid of the pernicious futility of the Internet and TV.” These media form the most important industry of spreading negative ideas that there is, which drive individuals to invest in unnecessary concerns with a focus on violence and disease, things that are only bad for health, so learn to filter the information you receive.
In your notebook you can read outlines that seem to have given a lot of mental work before composing the final essay. No wonder they are written on top of words previously erased or painted with concealer paint. In a quick glance we find: “if you think about writing ten pages, accumulate the will to write a Bible, and you will reach your goal”; “why accumulate so much unnecessary information? The excess of information disturbs the mind”; “observe only the healing process in the disease”; “appreciate simple things: the drying of clothes on the line, the sprouting of a seed in the ground”. João finally created a veritable body of knowledge in the psychosocial area, which I compare to the content of Machado’s short story “The Mirror” — “Sketch of a new theory of the human soul”.
Thinking about João’s entire trajectory, we can ask: was it worth it for him to have learned so much? Was he happier because of it? Well, if it was hard to say, one more thing is true: By keeping his mind always busy, he used an important remedy to circumvent life’s difficulties, avoiding falling into sadness; Work is the best medicine for the mind. People will be healthier mentally as long as they have occupations. If idle, they can only accumulate more problems.
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