Todos Acordes de Violão

A tabela abaixo representa o braço do violão, onde são mostrados todos os intervalos em números que representam as posições possíveis para todos os acordes.

Para melhor visualização, as notas dos acordes naturais: fundamental, terças e quintas estão em vermelho (notas das tríades); as sétimas em preto e as demais notas dissonantes: 9ªs, 4ªs e 6ªs (para as tétrades) em cores diferentes cada uma, para melhor visualização.

As cordas mais graves estão na parte de baixo da figura, ou seja, a mão do violão está na parte esquerda da figura.

Lembrando que os acordes em estado fundamental possuem a tônica no baixo; a primeira inversão a 3ª no baixo, a segunda inversão a 5ª no baixo e a terceira inversão é feita com a 7ª ou outra nota dissonante do acorde no baixo.

Lembrando também que os intervalos de 4ª e 6ª são frequentemente denominados respectivamente de 11ª e 13ª, principalmente quando posicionados na segunda oitava dentro do acorde. 

Caso você ache interessante, copie a figura e desenhe numa cartolina para ser colada na parede. Lembre-se de que ela, se devidamente percebida e quem sabe decorada, pode mesmo até substituir um dicionário de acordes. Espero que sirva de ajuda para o aprendizado de quem lhe dê importância.

Imagem de acordes 2

Tabela para acordes de violão

 

Aventura de Férias

Naquele dia de julho acordei mais cedo ouvindo o barulho de panelas na cozinha. Era mamãe que, como de costume, acordava bem cedo e preparava o café. Em silêncio, sentei à mesa da cozinha para tomar meu café com o pão devidamente cortado em partes iguais por mamãe, um para cada integrante da família. Em seguida saí sozinho pelo caminho que levava ao portão do sítio onde todos os anos passávamos as férias escolares.

A manhã estava linda, com algumas pequenas nuvens passando devagar. Uma leve brisa balançava os galhos das arvores daquela mata densa que abrigava uma diversidade sem limites de vegetação: desde à pequena juquira até ao gigantesco cajuí, com seus cajus avermelhados, e com suas folhas molhadas pelo sereno da madrugada. Lembrei-me agora de um verso de Eça.:

Deus existe tudo o prova.
Mesmo tu grandioso Sol,
quanto tu raminho humilde,
onde canta o rouxinol!
(Eça de Queiroz)

Algumas cigarras cantavam anunciando o belo verão amazônico que começara há um mês, junto com as festas juninas que encantavam aquela época. Muitos pássaros cantavam e o pica-pau bicava uma árvore seca queimada pelo roçado. Tudo aquilo formava um ambiente calmo e agradável.

Resolvi dar um passeio mais longe, na casa de meu avô, distante uns três quilômetros dali num caminho muito sinuoso e cheio de sombra das grandes árvores que deixam uma gostosa sensação de frescor, com casas simples muito distantes umas das outras e paisagens que hoje só existem em lugares longínquos, fora da cidade.

Pelo caminho avistei a casa do tio Lino, casa de madeira, rodeada de plantas e fruteiras, simples como seu dono, um homem que ria com muita facilidade de qualquer assunto que contávamos, mesmo que não fosse piada, principalmente ao conversar com meu pai. Meu pai morreu quando eu tinha dezessete anos e até hoje sinto saudades dele; de ouvir suas histórias. Histórias de viagens que fazia pela Amazônia em busca de insetos: ele era pesquisador do Museu Goelde. A viagem mais fascinante que fez foi para a Aldeia dos índios Tiriós, de onde trouxe alguns presentes dos índios. Lembro ainda o arco e flecha pendurados por ele com orgulho na parede da sala.

Chegando ao sítio de meu avô, não encontrei muito para fazer, mesmo assim não me furtei de uma olhada no galinheiro, onde conviviam pacificamente porco, marrecas, patos, galinhas com pintinhos, dos quais eu gostava muito de escutar os ciscados nas folhas secas da capoeira em busca de quaisquer insetos e minhocas e também aqueles ruídos de galinhas que parecem reclamar da vida. Mas tudo isso em silêncio. Qualquer ruido despertaria a atenção de minha avó, que da cozinha certamente exclamaria:

– Quem está aí, corre já daí seu moleque !.

Lembrei-me de olhar os ninhos de bem-te-vis que viviam aos montes pendurados nas folhas das pupunheiras do quintal, bem em frente ao jirau. Daquelas árvores é que saiam os cânticos matinais que alegravam a hora do café. Nunca esquecerei aqueles dias de minha infância, junto com meus pais, irmãos e avós durante os dias de férias. Aquilo é que era ser feliz.

Depois visitei a estribaria do meu avô situada além do quintal, ao fundo de um pimental. La descasava o dócil cavalo Cristiano Machado. Recebeu este nome em homenagem a um político que foi candidato à Presidência da República nas eleições de 1950 pelo PSD. Era um animal branco entremeado de pelos pretos, muito dócil.

Resolvi tomar banho no igarapé: quase todos os sítios contavam com um. O do sítio de meu avô ficava em um caminho cerrado e escuro na direção contrária do quintal, passava-se então pela frente da casa para ir até lá. Lá chegando, quase não tive coragem de entrar n’água que era muito fria em função do percurso sob a sombra da floresta percorrido pelas águas. Aquelas nascentes hoje não existem mais, secaram pelo desmatamento para dar lugar a grandes conjuntos residenciais, onde moram pessoas pobres, ou deram lugar a grandes mansões ou parque residenciais para pessoas endinheiradas. De qualquer forma nada justificaria o desmatamento perto das nascentes e a morte dos rios e dos animais que ali habitavam.

Passados mais quinze minutos era hora de voltar para casa. Pelo caminho me deixei levar pela imaginação. Toda aquela beleza era um encanto. Imaginei alguns passarinhos me seguindo na areia pelo caminho, querendo conversar. E eu correspondia àquela conversa cordial com os bichinhos, coisas que só cabe na cabeça de crianças, e que se perdem com a fase adulta. Imaginação que só boas e verdes mentes podem ter nessa fase. Tempo que não volta mais.

por Antônio Roberto Mangas

A delícia de voar

Após acomodar minha sacola de pertences debaixo do banco senti que estava pronto para observar atentamente as providências que os pilotos tomariam para decolar. Eu havia sentado de propósito na primeira cadeira à direita próximo ao corredor, de modo que a visão da cabine era privilegiada. Dali poderia tanto observar as manobras e os instrumentos, como também teria uma boa panorâmica da janela, pois não havia ninguém a meu lado e estava certo que não haveria, pois todos os passageiros já se haviam acomodado e a porta já fora trancada.

Começava ali o sonho de voar de avião, o qual eu esperava realizar desde a infância. De sentir as sensações do vôo que eu, não sei por que já sabia, pois tinha sonhado com aquilo.

Muito pequeno ainda, assistira na TV alguns seriados nos quais apareciam pessoas viajando de “teco-teco” e depois de uma altura muito grande soltavam de pára-quedas. Aquelas sensações continuaram muito vivas depois que cresci. Eu as lembrava como se tivesse participado junto com os para-quedistas, uma sensação deliciosa e muito forte ficara em mim e acho que por isso queria fortalece-las de forma ainda mais viva, mais real.

Sentado naquele ponto não perdia um só gesto, um só movimento de ponteiro dos instrumentos, um só ruído de botões ligados, um só aumentar ou diminuir de roncos do motor. O avião era nada mais nada menos que um Douglas DC-47 de fabricação americana dos anos 30. Um avião que eu conhecia porque frequentra o curso prático de Mecânica de Aviões concomitantemente ao ensino Médio, concluído na Escola Técnica Federal do Pará, hoje IFPa; curso que nunca me serviu profissionalmente cujo programa constava conhecimentos daquele avião. Conhecia aquele pássaro metálico, não para conserta-lo, ou pilotá-lo, mas tão somente o bastante para contempla-lo com minha paixão aeronáutica.

Os pilotos, após efetuarem os cheques de rotina, ligaram os motores: primeiro o da direita, que após girar por força do motor de arranque, pegou, fazendo um ruído e uma vibração típica daqueles grandes motores radiais, e produziu uma fumaça cinzenta que logo se dissipara com o vento da hélice. Após a partida do motor da esquerda, estabeleceu-se uma conversa com a torre em timbre de rádio antigo:

-“ Torre Belém, Bom dia, (XX-….)

– Bom dia, prossiga!

– (XX-….) estacionado, solicita (Voo…) para

Monte Dourado pela (…), plano de voo enviado!

– (XX-….), plano recebido, aguarde liberação!(…)

– (XX-….), autorizado Monte Dourado pela (…)

– Câmbio e bom dia!

– Bom dia e bom voo (XX-….)”.

-“ O piloto espalhou a mão direita empurrando as duas manteres de aceleração dos motores e o Avião passou a andar vagarosamente em caminhos sinuosos que levaram até a cabeceira da pista. Mais duas frases foram trocados com a torre. Os manetes foram empurrados até o curso final, levando os motores à potência total. Fez-se um ruído ensurdecedor e a força de propulsão colou nossas costas firmemente nas poltronas. O DC-3 parecia que ia explodir e começou a correr na pista com velocidade crescente. Eu olhava para todos os lados, a sensação era uma mistura de pânico, surpresa e prazer. Pela janela contemplava as arvores laterais que ficavam para trás junto com as gramíneas que servem para o marisco de muitos passarinhos amazônicos. De repente a aeronave descolou-se do chão e a sensação de aventura passou a ser ainda maior.

À medida que ganhávamos altura sentíamos alguns súbitos solavancos causados pelo encontro das asas com as nuvens baixas. Aos poucos as ruas e casas foram ficando pequenas. A vista passou a ser da maravilhosa floresta e dos rios que a cortam como serpentes. Belém foi ficado para trás.

De repente um grande solavanco. O motor direito começou a falhar. vibrava por três segundos tentando girar mas parava em seguida. Formou-se um grande pânico entre os passageiros. Um senhor que dormia, acordou de repente soltando um grito pavoroso.

O dois motores são para o avião como mãos que o seguram no ar. Uma falha dessas no caso do DC-3, é como se uma dessas mão deixasse de segurar a aeronave. A perda de sustentação é sentida de imediato, A tripulação tratou de acalmar os mais aflitos.

– Vire a válvula de combustível, deve estar entupido, gritou o piloto ao mecânico.

-É o que vou fazer, respondeu o mecânico em tom severo.

Ele rapidamente abriu uma portinhola no teto, próxima à cabine. Meteu uma das mãos no pequeno espaço e fez careta girando alguma válvula, em instantes o motor passou a funcionar perfeitamente. Sentimos que o avião logo ganhou sustentação e o alívio foi total.

Passado o susto, a viagem segui tranqüila. Em pouco tempo já avistávamos Monte
Dourado balançando na ponta do nariz do velho DC-3.

Por Antônio Roberto Mangas

DICAS PARA COMPOR MÚSICAS

violão desenhado
1. Antes de começar, pense em uma ideia para desenvolver. Não se pode começar a criar algo sem que se tenha de antemão uma ideia, e quando me refiro à ideia estou falando de um tema. Um tema para música pode ser de importância ou nem tanto. O principal é que ele esteja na sua mente para ser seguido.
2. Um tema para música pode variar. Estou dizendo que pode, mas não é o que acontece muito. Geralmente o foco tende a se concentrar no “Amor”, aliás, como tem musica que fala de Amor. Também existem muitas músicas que não falam de nada, ou de uma coisa tão particular que somente o autor é quem sabe a que se refere. Muitos autores, e aqui se incluem os da MPB, fazem letras para que o ouvinte tenha o trabalho de interpretar a letra, que possa inclusive fornecer interpretação diversa da dele.
3. Escolha um tema que você domine ou um sentimento muito pessoal, de preferência real: saudade, tristeza, ou mesmo paixão. Seja autêntico e não se intimide em colocar o sentimento pra fora.
4. Você também pode dividir sua composição em mais de um tema: que tal escolher três pecados capitais – Luxuria, Vaidade e soberba, e compor duas estrofes para cada um. Mais três ferrões, um de cada tema. No mínimo já pode servir de treino.
5. A letra da música basicamente é composta de estrofes e refrão. As estrofes versam sobre o tema principal. O refrão pode se repetir ao longo da música ou mudar, mas geralmente refere-se a uma ideia que reforça o tema principal. Existe também a ponte, mais utilizada no Rock.
6. Comesse logo que tenha o tema, ou se não se sentir preparado, espere que a inspiração venha à tona. E ela virá, desde que você se programe. Pode até parecer besteira, mas já aconteceu comigo. A inspiração parece com a programação do acordar. Durma pensando em acordar às seis da manhã e isso acontecerá. Coloque na sua mente, e lembre de vez em quando que quer compor uma música que, quando menos esperar: Thanh, Thanh, Thanh, Thanh! A música ou o trecho dela virão à mente como num passe de mágica, quando menos você espera.
7. Aqui vai um ponto importante. Tenha sempre em mãos onde colocar esse presente da imaginação. A melhor coisa é andar com um celular para ter como gravar a letra já com a musica e também uma ideia do ritmo, pois é assim que ela vem: Quase completa. Providencie também um caderno para o seu local de composição em casa, para anotar as letras de suas músicas. Por vezes você pode precisar anotar uma ideia, uma frase, ou a letra inteira da música, caso consiga compor sua letra de forma completa. É bom anotar as ideias quando elas vem de repente, sob pena de perdê-las para sempre.
8. Procure escrever a letra junto com a melodia, isso facilitará o processo ao mesmo tempo em que dará uma conotação pertinente a ambos, ou seja, tema alegre como melodia alegre e assim por diante. O ritmo tem que está de acordo com a música como um todo, mas pode ser razoavelmente alterado depois. Caso escreva primeira a letra, ou componha primeira a melodia ficará mais difícil de conter unidade entre ambas. Nesse ponto é importante que grave no celular a composição ou parte dela já com o acompanhamento do violão, fica mais fácil para o processo seguinte de gravação seja caseira ou profissional. Caso não esteja com o celular em mãos, escreva a letra com as cifras dos acordes para não perder da mente a melodia.
9. Tenha paciência ao elaborar o processo de composição. Mais vale gastar bom tempo compondo algo de sucesso do que produzir muita coisa sem valor estético. É como disse Fernando Pessoa: “de que adianta inventar algo que não serve pra nada”. Observando as músicas de grandes compositores como Djavan, Caetano, a música flui como que uma conversa, às vezes sugere mesmo a meditação… Portanto não tenha pressa, coloque esmero e dedicação na sua composição. Faça valer a pena.
10. Coloque solo(s) em sua música entre o refrão e uma estrofe; ou entre o gancho e uma estrofe como melhor encaixar, de início sem exageros. Lembre-se de que o solo deve estar na mesma tonalidade da música, ou em uma das tonalidades caso esteja em mais de uma. Caso não consiga um bom arranjo, nem mesmo um solo, não se preocupe, consulte um bom músico para fazê-lo. Ou procure um produtor/arranjador musical, eles existem para isso, para colorir e embelezar a sua composição.
Espero ter ajudado. Mãos a obra.

Por: Antônio Roberto Mangas